Saiba quais são as gorduras do bem e como escolher a mais adequada.

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Escrevi esse texto para você entender quais são as melhores gorduras que devemos consumir.

Porém se você (ainda) tem receio, ou medo mesmo de consumir gordura por causa do colesterol e outros mitos, sugiro que antes dessa leitura, vá até o final deste artigo e assista pelo menos os dois primeiros vídeos de 2 médicos que eu admiro muito: Dr. José Roberto Kater. Isso feito, você não terá dúvidas que o consumo de gorduras do bem são muito benéficas.

Então vamos lá.

Durante muito tempo me confundi com as gorduras saturadas, insaturadas, poliinsaturadas e etc. Sendo que na verdade o que importa é como essa gordura foi produzida ou obtida e como ela se comporta após esse processo.

Para nunca mais você esquecer, abaixo usei uma explicação que li no livro sobre Enxaqueca – Só tem quem quer – do meu médico e amigo Dr. Alexandre Feldman que nunca mais me esqueci e sempre costumo citá-la para falar sobre as gorduras.

Imagine uma azeitona. Agora imagine você apertar uma azeitona com a mão. Se você já fez isso, sabe que sua mão vai ficar cheia de óleo, ou no mínimo oleosa.

Isso explica, grosseiramente, o processo de prensar a frio que tanto se fala atualmente, principalmente nos azeites extravirgens. Simplesmente o ato de apertar, pressionar sem aquecer.

O resultado dessa prensagem a frio é um óleo vivo, igualmente cheio de nutrientes como estava no seu fruto. Não sofreu nenhuma alteração em sua composição.  Está em seu estado mais puro.

Depois disso, o que sobra dessa azeitona, onde já saiu todo aquele primeiro óleo, coloca-se mais pressão e mais temperatura a fim de tirar o máximo de óleo que ainda restam. Esse é um óleo virgem.

Agora, vamos um pouco mais além. Vamos imaginar o milho, a soja, todos esses óleos que atualmente estão tão presentes nas cozinhas e nos produtos dos supermercados por aí. Você pode apertar, apertar e apertar, que óleo certamente não sairá. Então, a pergunta que fica é como se fabricam os óleos de milho, de soja, de canola?

A indústria alimentícia coloca esses grãos em grandes panelas de pressão, que obviamente submetem esses grãos a altas pressões e altas temperaturas, adicionam solventes químicos e pronto. Surgem os óleos. Só que são óleos que tiveram, por todo esse processo, suas estruturas totalmente modificadas. São óleos totalmente oxidados.

Oxidação significa toxina, e toxina significa processo inflamatório, dor, doenças degenerativas, câncer e por aí vai.

E o que é pior é que além de oxidados, a indústria ainda desodoriza (tira o odor), refina (tira fibras), descolore (tira a cor), uma maravilha…tóxica!

Descontraindo um pouco…quem se lembra da propaganda do óleo de soja Lisa nos anos 80 que mostrava a dona de casa fazendo uma fritura e família em volta comentando que não sentia mais “aquele” cheiro da fritura?

E sabe aquela planta, florida, amarela, estampada nos óleos de canola? Ela simplesmente não existe. Canola uma sigla para Canadian Oil Low Acid. Essa flor de uma planta chamada colza. A canola deriva dessa planta, que é geneticamente modificada resultando de um cruzamento de várias subespécies de plantas e é inadequado ao consumo humano. Sabe onde ele é usado? Em velas, tintas, um horror!

Voltando ao óleo de coco, o extravirgem é o mesmo processo da azeitona. Existe o extravirgem e o virgem.

Com a explicação acima, já dá para deduzir que devemos fugir de óleos virgens e de óleos vegetais refinados (soja, canola, girassol, milho, e etc.) e que devemos consumir óleos como o de coco e azeites, desde que extravirgens e de preferencia, orgânicos.

O óleo de coco ainda tem uma vantagem maior, pois é estável a altas temperaturas, ou seja, pode ir para a panela, forno que suas propriedades e nutrientes se mantém.

Já o azeite extravirgem deve ser consumido frio, cru, sem aquecer. Ele tem uma estrutura sensível que oxida com altas temperaturas.

As gorduras animais (manteiga orgânica, banha de porco) também são ótimas opções para a cozinha, pois também são resistentes as temperaturas.

Minhas dicas para o consumo de gordura são:

-Consuma manteiga orgânica, já que ela tem ácido butírico totalmente ligado a saúde intestinal, ajuda na transformação de células cancerígenas em células normais, é cheia de vitamina A que é um poderoso antioxidante.

Ela vai bem no omelete, com pães integrais, na pipoca, para cozinhar de maneira geral.

Faça ghee de manteiga orgânica, o resultado é um óleo de ouro nutricionalmente falando.

-Consuma o óleo de coco de todas as maneiras. Já já explico esse “de todas as maneiras”. O óleo de coco tem o ácido láurico, que ajuda na fabricação da monolaurina, uma substancia que inativa, isso mesmo inativa alguns vírus como o da herpes, citomegalovírus, HIV, ou seja, aumenta nossa imunidade.

Eu uso o óleo de coco para bolos, pães, purês mais adocicados como beterraba.

Dá para usar também no corpo na hora do banho e nos cabelos quando precisam de uma boa hidratação. Por isso escrevi usar de “todas as maneiras”.

-Consuma azeite extravirgem, já que ele tem propriedades antiinflamatórias que ajudam no processo de dor.

Vai bem para temperar nas saladas verdes, saladas de grãos, saladas de ovos caipiras orgânicos. Sempre cru. Compre os azeites embalados em vidros escuros, de preferência os não filtrados, que ajudam a retardar a oxidação do azeite.

O mesmo vale para os óleos de girassol, linhaça e gergelim.

-Não esquecendo de falar também da banha de porco, que é mais difícil de encontrar. Mas quando encontrar, não deixe de comprar, pois é ótima para cozinhar tudo. Na minha casa, fazemos nosso próprio bacon, e toda a gordura que sai ao assarmos a barriga do porco é guardada para usarmos na cozinha.

Não tenha medo da gordura. Gorduras do bem só fazem bem. Saciam e nutrem.

Fontes e referências

De vilão a mocinho. A saga do colesterol segundo Dr. Kater

Colesterol, a verdade que ninguém fala segundo Dr. Lair Ribeiro

http://pat.feldman.com.br/2009/03/08/por-que-a-manteiga-e-a-melhor-opcao/

http://pat.feldman.com.br/2010/10/07/e-a-manteiga/

http://pat.feldman.com.br/2013/09/25/margarina/

Daniela Miguel é engenheira, culinarista especialista em alimentação natural, ex-portadora de enxaqueca :) , mãe da Valentina, sócia e fundadora da Deliyou, uma empresa de produtos naturais e integrais que faz comida de verdade chegar até a sua casa.

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